quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A saudade que ficou de um momento único...

Hoje, passeando por um dos portais de notícias do Brasil pela internet, óbvio, eis que me surge como foto do dia um lugar pitoresco, incrível e sem precedentes noutro canto da terra... PAMUKKALE.
Foi por causa deste lugar que toda a viagem para a Turquia começou a ser planejada e ensaiada por anos a fio. O Egito já era um plano e encaixou como uma luva nesta jornada dupla!

Descrever Pamukkale não basta, fotografar também não: é preciso sentir! Desde o calor das águas e piscinas de Travertino (como eram chamadas) e o toque dos pés descalços no calcário branco e rendado do chão.

Pamukkale significa "Castelo de Algodão" e que traduz bem o que essas formações rochosas geradas por águas calcárias de fontes termais que aos poucos formaram dezenas de piscinas naturais e formações rochosas que parecem neve, nuvens no chão, em um imensidão branca.

Nem sempre é possível ver toda a dimensão deste espetáculo natural pois, às vezes, não há água suficiente e boa parte disso decorre da exploração hoteleira na construção de suas próprias piscinas termais pré-fabricadas (um desgaste da natureza que deveria ser contido com urgência!).

De qualquer forma e mesmo sem todo o esplendor que já fora um dia, Pamukkale deixa qualquer um sem palavras e, por isso mesmo, que esta saudade súbita que me deu vai parando por aqui... desfrutem de algumas fotos e qualquer dúvida é só perguntar!
olha a cara de abestalhado feliz! rs... 

Marcelo Poloni

domingo, 4 de julho de 2010

Memórias escritas no aeroporto de Ataturk...

Continuando a série... escritos do moleskine, aqui estão as palavras que escrevi esperando o embarque para Ankara:

uma rua em Ankara

"Cá estamos nós no aeroporto de Istambul para pegar o vôo para Ankara. É muito difícil escrever pela cidade pois tem muita coisa para se ver e sentir. O clima lembra o Rio de Janeiro mas por aqui é mais frio - somente o tempo - pois o povo é muito gentil e hospitaleiro, querem sempre agradar e com isso ganhamos dois Cornettos no supermercado!....
Loja de Esculturas em Ankara

Ontem foi um dia com muitas coisas para se ver e fazer, e sequer consegui terminar a postagem no Blog. Digitei inicialmente sobre o Grande Bazar, o grande mercado de Istambul onde toda negociação é possível. O que eram para ser 30TL por pashimina chegou a 17L em negociação com um vendedor simpático que torce para o Galatasaray.

Ahhhhhhhhhhh, eu "odeio" - no bom sentido - esta cidade! É irritantemente linda e tanto quanto são os turcos! Não tem um que não seja bem "apessoado" - palavras de Liza ao repousar sobre meus ombros neste banco de aeroporto.

Sim, tem gente normal e comum mas é gritante o bom gosto em vestir e tudo mais por aqui... No Bazar apenas rodamos uns 5 corredores e umas 400 lojas, lembrando que são mais ou menos 4000 delas. Haja TL! (lira turca ou Turkish Lira).
Quando pensamos que já tínhamos visto de tudo no Bazar eis que surge o vendedor que morou em Curitiba... Liza ficou "animadinha"...rs... Afinal é muita "alegria" por aqui!! Visitar a cidade e não se encantar a cada esquina com a receptividade é deixar de conhecer a verdadeira essência do lugar.

Não há uma esquina sequer sem tulipas. É impressionante e lindo. Saindo do Grande Bazar e já por nossa conta, sem guia oficial, nós podemos explorar o lugar e assim fomos para Sulthanamet a pé em busca de um restaurante.

Comi Kofte (bolinha de carne) com pimenta e Liza comeu um tipo de churrasco grego com pão e iogurte. Tomei Sahlep!!!!!!! é ótimo mas serve de sobremesa pois parece arroz doce batido com canela. Liza foi de chay e lá vem aquele copinho bonito...

(Sahlep é uma mistura de especiarias turcas cuja base é uma raiz de orquídea que tem na Turquia)

Estou vendo aqui - Ankara 6ºC! Será que usarei meu casaco?? Está no malão...ufa, pois parte das malas ficaram no hotel para quando do nosso retorno pelo interior. Hoje começaremos o passeio pela Capadócia, segindo para Konya, Pamukkale, Kusadasi e Éfeso. Voltaremos quinta....

Voltando ao relato do passeio... Lá fomos nós conhecer o mundo subterraneo Aquático da Basilica ou.. Cisterna de Yerebatam. Um lugar construído para armazenar agua que possui colunas antigas em teto abobadado e figuras enigmáticas de duas Medusas que servem de base para duas colunas do fundo o lugar. É uma visão incrível. Iluminação e mistério transformam o comum do passado em algo sensacional de se ver e passear.

De lá saímos para voltar ao Hotel, exaustos! Mal consegui fazer outra coisa além de arrumar a mala para pegar o vôo que esperamos agora!. Devemos ter deixado uns 40kg em malas e compras no hotel... medo!
Chegaram mais alguns turistas espanhóis e latinos por aqui. Acho que estamos no mesmo passeio.

Voltando ao dia de ontem: começamos com um passeio pela Hagia Sofia. É monumental, impactante. Antes igreja católica romana, depois mesquita e agora um museu cujas paredes revelam a cada dia, mais e mais afrescos bizantinos apagados pelo tempo e pelas religiões. Não chegamos a ir no museu, mas voltarei lá para isso.

A Sabedoria do tempo mostra que mesmo a tentativa de apagar o passado revela-se inútil....."

Foi isso... chamaram para o embarque... e não finalizei o dia no moleskine.... ainda deixei anotado algumas coisas que servirão de base para futuras histórias de um tempo que já passou...

Vai lá que eu já fui!

Marcelo Poloni.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Memórias de um tempo que já passou...

Sei que estas anotações deveriam ter sido postadas bem antes, mas não resisto e vou continuar escrevendo minhas recordações faraônicas... Segue abaixo o que escrevi no moleskine e desta forma são anotações do dia 06 de maio de 2010. Manterei o tempo presente daquele dia de anotações...pois é um reflexo dos sentimentos daquela tarde....

"Estou em Abu Simbel quase na fronteira com o Sudão. Já estamos no hotel e o pôr-do-sol se aproxima. Aqui o clima é muito mais quente que no Cairo.

É quase um exercício de resistência admirar os templos de Ramses e Nefertari. São grandiosos e verdadeiras obras de arte que resistiram ao tempo e as depredações.

O sol cai no horizonte enquanto escrevo sobre a grandiosidade de um povo que agora, restos de um império magnífico, sobrevive de gorjetas e do turismo. O Egito tem constrastes gritantes.

No Cairo existem duas cidades: a de fora e a de dentro. Por dentro os lugares são comuns e por vezes bem acabados com requinte ocidental. Por fora, por conta dos impostos, impera a falta de acabamento. É suja, mas ainda assim exibe uma alegria contagiante no rosto das pessoas. São todos muito sociáveis e querem sempre interagir (algumas vezes por um trocado).

Em geral, como disse o guia Mohamed, o Cairo é a cidade dos 1000 minaretes.


 Entramos na mesquita antiga de Al-Ahzar e o clima é de total imersão na religiosidade, mesmo que aberta a visitação dos turistas.

Na Mesquita de Alabastro o clima é como aquele que encontrei na mesquita Azul (em Istambul), apenas a visitação e o turismo impera.

Não há um evidente sinal de religiosidade. Tudo isso é compensado pela magnitude de suas cúpulas em verde e dourado. Por alguns momentos me perdi no tempo e deitei no chão para contemplar as maravilhosas decorações.


Antes de passar pela cidade de Saladino, onde está a mesquita de alabastro, já tinhamos ido ao Cairo Copta e o guia foi decepcionante. [Tudo bem, tivemos "problemas técnicos de ordem pessoal" da Liza, e o guia se perdeu em nítida preocupação].

O melhor momento talvez tenha sido com o guia Mohamed aos pés das pirâmides ou no museu egípcio do Cairo. Mesmo sua seriedade ao explicar se abrandava nos "assuntos informais".

Sobre as Pirâmides: são impressionantes e a sensação que temos é de que elas não existem, são apenas imaginação. É engraçado chegar nas Pirâmides de Giza. A van do passeio desce uma avenida movimentada, como todas do Cairo, andamos e andamos, não acabava mais, e quando menos se espera elas surgem do nada atrás de um prédio ou outro.

Se todas as pedras das pirâmides fossem colocadas lado a lado dariam a volta na França com uma altura de 3 metros. Mohamed nos contou isso.

O Museu Egípcio do Cairo será outro em 5 anos (espera-se!). Será o maior museu do mundo e perto das pirâmides de Giza. O atual museu egípcio é mal cuidado e pequeno. São 150 mil peças expostas e outras 500 mil guardadas. O novo museu Egípcio do Cairo terá espaço para todo o acervo e o governo do Egito busca resgatar peças importantes da coleção que estão em outros museus do mundo como a Pedra de Roseta e o busto de Nefertite.

O sol já está na linha do horizonte e eu aqui deitado ao lado da piscina com um grupo de italianos. O sol desceu por detrás das colinas do lago Nasser e mais um dia vai para a memória deste viajante. Somos apenas uma fração do tempo que controla o infinito que nos cerca e, nos apaixona pela sensação de que a eternidade é um grão de areia do Saara, não mensurável aos olhos, apenas ao coração.

O que mais posso dizer sobre o Egito? Não muito. Três dias de Cairo e um em Abu Simbel com este pôr-do-sol maravilhoso, perfeito. A noite se aproxima. Vejamos quantas estrelas a noite no Egito pode revelar aos olhos deste sonhador...."

Vai lá que eu já fui!

memórias de um tempo que já passou mas foi registrado "in loco" com o calor do deserto...
momento Liza Nefer fazendo sucesso com os locais! rs... quem mandou ser uma egipcia disfarçada de brasileira?!!!!

domingo, 6 de junho de 2010

iSTamBul, a cidade das tulipas

Viajar para uma cidade e descobrir um mundo fora da tradição ocidental já merece um capitulo da memória, mas muito além disso, Istambul, capital européia da cultura em 2010, reservou-nos todo o encanto das cores da primavera nas formas das tulipas, espalhadas por toda a cidade.

A Turquia quer recuperar a fama de ser o país de origem da flor mais comumente associada à Holanda e não mede esforços para transformar Istambul, seu mais famoso cartão postal, em um imenso jardim. Em 2010 a cidade conta com cerca de 9 milhões de tulipas de todas a cores e tamanhos, espalhadas pelos parques, ruas e avenidas.

A prefeitura de Istambul não mede esforços para manter esta centenária tradição Otomana de colorir a vida
e fazer despertar nosso olhar para a beleza da cidade cercada séculos de história. Em 2010 a Cidade
foi palco do 5º. Festival das Tulipas que floresceram radiantes entre os meses de março e abril.

Praças, jardins e todos os encantos de uma arquitetura secular fazem par com as cores e formas das tulipas, e outras tantas flores, que juntas compõe um cenário perfeito para longas contemplações.
O entardecer cobre a cidade com nuances de cor e sombra que aos poucos transformam a paisagem promovendo um clima ameno de calma e tranquilidade diante da magnifica Basilica de Hagia Sofia ou a delicadeza da Mesquita Azul.
Se você quer visitar Istambul está ai uma dica... Abril é o mês das flores na cidade das múltiplas cores e sensações.

Vai lá que eu já fui!

Marcelo Poloni