Sei que estas anotações deveriam ter sido postadas bem antes, mas não resisto e vou continuar escrevendo minhas recordações faraônicas... Segue abaixo o que escrevi no moleskine e desta forma são anotações do dia 06 de maio de 2010. Manterei o tempo presente daquele dia de anotações...pois é um reflexo dos sentimentos daquela tarde....
"Estou em Abu Simbel quase na fronteira com o Sudão. Já estamos no hotel e o pôr-do-sol se aproxima. Aqui o clima é muito mais quente que no Cairo.
É quase um exercício de resistência admirar os templos de Ramses e Nefertari. São grandiosos e verdadeiras obras de arte que resistiram ao tempo e as depredações.
O sol cai no horizonte enquanto escrevo sobre a grandiosidade de um povo que agora, restos de um império magnífico, sobrevive de gorjetas e do turismo. O Egito tem constrastes gritantes.
No Cairo existem duas cidades: a de fora e a de dentro. Por dentro os lugares são comuns e por vezes bem acabados com requinte ocidental. Por fora, por conta dos impostos, impera a falta de acabamento. É suja, mas ainda assim exibe uma alegria contagiante no rosto das pessoas. São todos muito sociáveis e querem sempre interagir (algumas vezes por um trocado).
Em geral, como disse o guia Mohamed, o Cairo é a cidade dos 1000 minaretes.
Entramos na mesquita antiga de Al-Ahzar e o clima é de total imersão na religiosidade, mesmo que aberta a visitação dos turistas.
Na Mesquita de Alabastro o clima é como aquele que encontrei na mesquita Azul (em Istambul), apenas a visitação e o turismo impera.
Não há um evidente sinal de religiosidade. Tudo isso é compensado pela magnitude de suas cúpulas em verde e dourado. Por alguns momentos me perdi no tempo e deitei no chão para contemplar as maravilhosas decorações.
Antes de passar pela cidade de Saladino, onde está a mesquita de alabastro, já tinhamos ido ao Cairo Copta e o guia foi decepcionante. [Tudo bem, tivemos "problemas técnicos de ordem pessoal" da Liza, e o guia se perdeu em nítida preocupação].
O melhor momento talvez tenha sido com o guia Mohamed aos pés das pirâmides ou no museu egípcio do Cairo. Mesmo sua seriedade ao explicar se abrandava nos "assuntos informais".
Sobre as Pirâmides: são impressionantes e a sensação que temos é de que elas não existem, são apenas imaginação. É engraçado chegar nas Pirâmides de Giza. A van do passeio desce uma avenida movimentada, como todas do Cairo, andamos e andamos, não acabava mais, e quando menos se espera elas surgem do nada atrás de um prédio ou outro.
Se todas as pedras das pirâmides fossem colocadas lado a lado dariam a volta na França com uma altura de 3 metros. Mohamed nos contou isso.
O Museu Egípcio do Cairo será outro em 5 anos (espera-se!). Será o maior museu do mundo e perto das pirâmides de Giza. O atual museu egípcio é mal cuidado e pequeno. São 150 mil peças expostas e outras 500 mil guardadas. O novo museu Egípcio do Cairo terá espaço para todo o acervo e o governo do Egito busca resgatar peças importantes da coleção que estão em outros museus do mundo como a Pedra de Roseta e o busto de Nefertite.
O sol já está na linha do horizonte e eu aqui deitado ao lado da piscina com um grupo de italianos. O sol desceu por detrás das colinas do lago Nasser e mais um dia vai para a memória deste viajante. Somos apenas uma fração do tempo que controla o infinito que nos cerca e, nos apaixona pela sensação de que a eternidade é um grão de areia do Saara, não mensurável aos olhos, apenas ao coração.
O que mais posso dizer sobre o Egito? Não muito. Três dias de Cairo e um em Abu Simbel com este pôr-do-sol maravilhoso, perfeito. A noite se aproxima. Vejamos quantas estrelas a noite no Egito pode revelar aos olhos deste sonhador...."
Vai lá que eu já fui!
memórias de um tempo que já passou mas foi registrado "in loco" com o calor do deserto...
momento Liza Nefer fazendo sucesso com os locais! rs... quem mandou ser uma egipcia disfarçada de brasileira?!!!!